Sacos de dormir: entendendo na prática a norma européia EN 13537.


Norma Européia EN 13537

Atualmente é a Norma Européia EN 13537 (de 2002) que estabelece os padrões e a metodologia para unificar a determinação de valores para as temperaturas de conforto térmico em sacos de dormir e é a base de referência que os fabricantes (ao menos os Europeus), devem seguir e aplicar em seus produtos. Obviamente, como se trata em última análise de um ensaio de laboratório, nunca será possível reproduzir as condições psicofísicas reais do usuário, porém garante e indica com uma ampla margem de segurança quais são as condições ideais de conforto que o saco de dormir está destinado a cobrir. Para maior segurança alguns fabricantes mais sérios submetem os dados coletados em laboratório a ensaios de campo de forma a validar os valores obtidos em laboratório.

Neste contexto é oportuno lembrar ainda que a sensação de calor/frio não depende unicamente da quantidade/qualidade ou do tipo do enchimento do saco de dormir, mas de outros fatores psico-fisiológicos ligados ao seu usuário, como o seu metabolismo, peso, idade, sexo, aclimatação, experiência e a sua forma física. Também não são considerados os fatores ligados ao ambiente onde será usado o produto, como vento, neve, condições do isolamento do piso, variações abruptas de umidade do ar, temperatura dorporal do indivíduo quando na entrada no saco.

Definições dos valores de conforto e extremos da Norma EN 13537

Segundo a EN 13537 são as seguintes:

Temperatura máxima de conforto: é a temperatura máxima na qual um homem normal durma sem transpirar abundantemente e é estabelecida com o zíper do saco de dormir aberto, os braços para fora e o capuz aberto;

Temperatura de conforto: é a temperatura que permite a uma mulher normal passar uma noite completa de sono em uma posição relaxada;
Temperatura Limite inferior de conforto: define a temperatura mínima na qual é possível um homem normal dormir em posição encolhida por oito horas sem despertar de frio; também é referida como ‘Temperatura de Transição’ ou ainda apenas ‘Temperatura Limite’
Temperatura extrema: é a temperatura mínima na qual o saco de dormir protege uma mulher normal da hipotermia, permitindo ter 6 horas de sono incômodo (com forte sensação de frio) sem que a temperatura interna do corpo desça a níveis perigosos.
Estes dados constam nas etiquetas dos produtos quando o mesmo está em conformidade com o padrão adotado pela norma. (Veja a figura com o modelo)

en13537_tested_template.jpg

Estes valores são calculados em laboratório, conforme a metodologia estabelecida pela norma citada, que prevê o uso de um manequim aquecido internamente que simula um ser humano ‘normal’, vestido com roupa térmica de duas peças e meias até o joelho, sem a presença de vento, com uma umidade relativa do ar entre 40% e 80% e com o saco de dormir colocado sobre um isolante térmico. Obviamente estas condições são ideais, portanto (e muito provavelmente) não serão as mesmas encontradas no uso prático real de um saco de dormir e, como já dito, não levam em conta fatores importantes que afetam seriamente a resistência do indivíduo ao frio, conforme mencionado anteriormente.

Por ‘normal’ a norma presume que um “homem normal” tem 25 anos de idade, altura de 1,73 m e peso de 73 kg. Uma “mulher normal” teria 25 anos, altura de 1,60 m e peso de 60 kg.

Ao escolher um saco de dormir as orientações básicas para sua segurança e conforto são:

1. Nunca compre seu saco de dormir baseando-se na temperatura extrema indicada pelo fabricante

2. Se você é mulher, use como referência a temperatura de conforto e se você é homem, use como padrão de referência a temperatura limite inferior de conforto. Recomenda-se ainda deixar sempre uma margem de segurança, ou seja, escolha um saco cuja temperatura seja de 3 a 5°C maior do que a que você precisará. Desta forma se compensam em aprte as diferenças causadas por eventuais fatores psico-fisiológicos desfavoráveis e também possível agravamento das condições de temperatura esperadas para o ambiente onde será usado o equipamento;

3. Procure sempre verificar no ato da compra se o produto possui etiqueta indicando sua conformidade com a Norma EN 13537.

Principais fatores fisiológicos que influenciam nas sensações de calor/frio:

Metabolismo: quando uma pessoa dorme, produz de 75 a 100 Watts de calor em função de diferentes fatores, como idade, sexo, peso e condições psicofísicas.

Massa corporal: uma pessoa com sobrepeso/obesa tem normalmente um metabolismo mais lento. Come mais do que consome. Quando praticamos atividade física, como no trekking, geralmente ingerimos menos calorias do que consumimos. As pessoas com sobrepeso terão energia reserva maior e melhor isolamento natural do corpo (pela gordura) do que pessoas magras, gerando menor sensibilidade ao frio.
Idade: o metabolismo também está relacionado com a idade do indivíduo. Uma pessoa mais velha gera menos calor, portanto sente mais frio do que uma pessoa mais jovem.
Sexo: normalmente as mulheres tem uma maior sensação de frio do que os homens, sendo assim, é com base na mulher que se define o valor padrão de temperatura de conforto, em média 5ºC maior do que para o homem.
Costume: uma grande parte das pessoas atualmente habitando regiões frias vive em residências com calefação, trabalha em escritórios ou outros locais com calefação e se desloca em veículos climatizados. Este estilo de vida reduz o costume do corpo para suportar o frio.
Experiência: pessoas com mais vivência ao ar livre vão estar mais bem preparadas para escolher melhor a posição no terreno para montar a barraca (levando em consideração posição do sol, vento e etc), isolar melhor o saco de dormir do chão e etc., por isso uma pessoa inexperiente normalmente sentirá mais frio e estará menos cômodo do que uma pessoa com experiências anteriores.
Forma física: se levamos uma vida sedentária e realizamos um grande esforço físico, como uma extensa caminhada, por exemplo, nos cansaremos mais rapidamente do que se estivéssemos em forma. O esgotamento físico reduz a produção de calor e então teremos maior sensação de frio.

Dicas:

Uma boa noite de descanso não dependerá apenas do saco de dormir, mas também da superfície onde você está e de como você dorme:

Use isolante térmico entre o chão e o saco de dormir: o isolante térmico é imprescindível para isolar você do chão e evitar a perda de calor por condução. Mesmo o melhor enchimento de saco de dormir não vai evitar que você perca calor para o chão.

Sensação térmica: é a temperatura que realmente sentimos e que não é a mesma medida por um termômetro no mesmo ambiente. Tem seu valor influenciado principalmente pela velocidade do vento, mas também pela umidade e densidade do ar, entre outros fatores climáticos. Utilizemos um pequeno exemplo: se a temperatura ambiente é de 0°C e a velocidade do vento é de 18 km/h (baixa, mas muito comum numa montanha ou num descampado, por exemplo), a sensação térmica poderá chegar a -9°C. Recomenda-se sempre a utilização de barraca ou saco de bivaque para pernoitar ao ar livre de forma a protegê-lo destas condições.
Nunca durma com suas roupas molhadas: num caso destes a perda de calor é muito maior do que com roupas secas devido à perda das propriedades de isolamento térmico dos tecidos envolvidos (roupa e saco).
Durma com um gorro na cabeça: aproximadamente 30% do calor é perdido pela cabeça, então mesmo que o seu saco de dormir tenha capuz, durma com um gorro em dias/locais muito frios.
Alimentação adequada: uma alimentação balanceada, comida e bebida quentes antes de dormir vão ajudar a esquentar seu corpo. Isso é muito importante pois o saco de dormir não gera calor, apenas retém o calor produzido pelo seu corpo.
Hidratação: um organismo desidratado não vai gerar calor de forma adequada, então mantenha-se hidratado.
Liner: quando verificar que o limite do seu saco de dormir não está adequado a determinada situação (ou muito próximo do limite recomendado) procure usar um liner, que nada mais é do que uma espécie de ‘lençol’ que além de ajudar a manter o interior de seu saco de dormir limpo, pode, dependendo do material e tecnologia empregada acrescentar mais alguns graus à faixa de temperatura suportada pelo seu equipamento. Procure no mercado especializado.
Roupas extras: tenha sempre em suas aventuras uma muda de roupa limpa e seca extra guardada em saco estanque ou em uma sacola plástica que a proteja da umidade. Esta roupa pode ser uma camiseta de manga longa, uma calça de tecido leve e um par de meias, todas preferencialmente sintéticas, e podem ser usadas para dormir caso sua roupa de uso durante o dia esteja suja ou molhada pelo uso.
Proteja o saco de dormir da umidade: acondicione seu saco de dormir em um saco estanque ou em um saco plástico resistente que o proteja da umidade, especialmente em caso de necessitar molhar a mochila, como numa travessia de rio ou numa chuva forte, pois a mochila, mesmo com a capa de chuva pode estar sujeita à penetração de água.

Autor: 
Getulio Rainer Vogetta

Att.
Tiago de Pellegrini Korb
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